Transformação Digital dará lugar a uma Revolução Digital feita “na marra”

Design de Comunicação

Transformação Digital dará lugar a uma Revolução Digital feita “na marra”

1 de abril de 2020 Artigos Design de Comunicação 1

Se você trabalha em uma empresa de tecnologia, um grande varejo ou mesmo em uma escola e alguém disser: “Em duas semanas vamos migrar tudo para o digital e em um mês quero estar operando 100% online” quantos risos e incredulidade você veria a seguir. Aposto que nem você seria capaz de acreditar que a pessoa estaria falando sério.

No entanto, frente a um desafio global como uma pandemia, onde a única solução cientificamente eficaz é o distanciamento social, rapidamente o mundo aprendeu que só teria uma escolha a fazer: Transformação Digital ou Nada.

O fato é que, ainda estamos operando no modo “paliativo” ou “temporário”, o que leva a crer que há um momento no tempo em que é possível retroceder ao status quo original. O que talvez fosse uma boa discussão é se “queremos realmente retornar ao status quo original?” ou pior “será possível?”.

A crise mundial deixa claro que a necessidade é a mãe da mudança de cultura. Dificilmente mudaremos por “ser melhor”, mas sim por ser “a única” alternativa, que já apontávamos como melhor. Quando vemos idosos encontrando seus pares via vídeo conferências, sistemas de entregas sendo testados à exaustão e até Universidades titulando doutores através de bancas digitais, percebemos que a Revolução Digital está em curso e nada voltará a ser exatamente como antes.

Mesmo após a quarentena, o comportamento das pessoas terá se alterado de tal forma, que muitas coisas precisarão ser repensadas, seja para aproveitar esse novo modelo digital de interação, seja para prever como esse comportamento impactará os negócios que se transformaram digitalmente, de uma forma não planejada e impulsionada pela necessidade, em seus modelos de negócio ou na sua importância para o mundo.

Nossa proposta para esse “repensar” é uma abordagem estratégica em 4 vetores: Conexões/Interações, Logística, Comportamento e Demandas. Nós desenvolvemos esse pensamento não agora em meio a crise, mas durante 9 anos de trabalho com comunicação estratégica ligada diretamente a tecnologia.

Conexões/Interações

Esta nova forma de compartilhar e gerar engajamento não é mais privilégio de alguns, ainda que não seja homogênea na população. Ela altera principalmente a forma como construímos ideias e narrativas que permeiam a sociedade. Ao longo desta quarentena, como exemplo, já podemos observar um esforço hercúleo das escolas de alcançar um modelo de e-learning para crianças, algo que até então seria considerado inadequado.

Isso pode significar que a barreira entre a mudança de processos de exigência presencial esteja muita mais fina e talvez até permeável a estas novas relações. Será que faz algum sentido aquela viagem para uma reunião presencial que se resolve em “uma hora e meia”? Ou será que há algum déficit real no modelo EAD de ensino? Ou mesmo, será que frequentaremos eventos presenciais com os mesmo objetivos ou motivações de antes?

Nós acreditamos que todas as respostas para essas perguntas são “não”, e o quanto antes isso tornar-se pauta das organizações, como o pensamento prático e analítico de como lidar com essas novas capacidades de conexão e interação, mais rápido elas poderão entender como impulsionar seus objetivos nesse novo cenário.

Logística

A questão anterior gera um problema e uma solução para uma questão importante da modernidade: O movimento de corpos e materiais em uma economia globalizada. Seja os eventos de micro logística (uma entrega de um pão na chapa, a ida ao dentista), ou de macro logística (fornecimento de comida, eventos de grande aglomeração como o Carnaval ou Jogos Olímpicos), todos precisarão ser repensados do ponto de vista da diminuição do interesse do contato presencial, ou talvez de sua necessidade real. 

Não acreditamos que seja saudável esperarmos 6 meses (com possibilidade de que todos eles sejam passados dentro de um processo de restrição e isolamento grave) para começarmos a pensar em como vamos lidar com essas questões. Quando este momento chegar, as pessoas já estarão com seus comportamentos completamente alterados. Essa transformação não irá alterar no ponto final da crise, mas ao longo de toda a curva. Colocar isso no contexto do planejamento é mais que necessário. É imprescindível.

Comportamentos

“Nada é capaz de substituir a interação humana presencial”.

É muito fácil concordar com essa expressão e é a partir dela que damos significado a nosso comportamento coletivo e social. Não nos interessa mudar essa questão e inclusive desenvolvemos uma luta pesada contra as telas que estavam “diminuindo” o espaço de nossas interações humanas.

Mas e se a única alternativa de interação humana for a digital? Para além da situação da pandemia, a Ficção Científica nos mostrou vários cenários e possíveis resultantes de uma nova forma de interação baseada no digital.

Me parece claro que não é produtivo apostar no fim da interação pessoal presencial, até por que ela seria um fator de extinção para nossa civilização, porém ela pode diminuir sua relevância significativamente depois dessa experiência que vivemos, a ponto de, questionar a frase que abre essa sessão, não ser mais algo impensável. O comportamento das pessoas vai mudar e isso vai mudar essencialmente nosso próximo tópico.

Necessidades

Praticamente todas as inovações e tecnologias criadas, ou mesmo adotadas, durante a crise se fizeram por necessidade. Sempre afirmamos que a “Necessidade é mãe da Cultura” e como “A Cultura engole a Estratégia no café da manhã” entender as necessidades dos usuários deixa de ser uma palavra bonita recitada pelos “Design Thinkers”, “Uxers”, Marketeiros e Publicitários, para ser a ordem número um de preocupação de qualquer organização, seja ela uma empresa ou governo. E entender exatamente do que as pessoas precisam, não agora no ápice da crise, mas amanhã quando a crise passar e um novo conjunto de necessidades vier a tona, será o elemento para “virar o jogo”.

Será que as pessoas vão frequentar os restaurantes como faziam antes? Ou estarão dispostas a comprar utensílios que não cumprem uma função definida? Obviamente que sim, mas não da mesma forma que faziam antes. As ponderações, relações, logísticas e comportamentos mudam e as necessidades respondem a todas essas mudanças.

Estar atento e planejar agora, em meio a revolução digital, impulsionada por uma crise nunca antes vista em escala global, é o único caminho possível para sobreviver ao rearranjo econômico inevitável que virá a seguir.

Estejamos juntos e preparados para isso!

 

Um comentário

  1. Ponderado e direto!

    Gostei bastante da forma como abordou os pilares e estruturou as ideias.
    Agora é aguardar e planejar. A revolução já começou.

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