A IA e o Mundo do Trabalho

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A IA e o Mundo do Trabalho

2 de agosto de 2023 Artigos Inteligência Artifical TI 0

No mundo acelerado de hoje, a relação entre a Inteligência Artificial (IA) e o trabalho está em constante mudança, praticamente uma montanha russa de emoções. Mesmo antes do “medo” em torno das “IAs Generativas” (um anglicismo, pois o correto seria gerativas) a dívida digital – o acúmulo de dados, informações e comunicações que ultrapassam nossa capacidade de processamento – já assombrava profissionais das áreas de tecnologia.

A rápida ascensão da IA está transformando a forma como outras economias trabalham, mesmo aquelas que não acreditavam serem as primeiras na fila de impacto da tecnologia nas rotinas de trabalho, oferecendo a promessa de aliviar a sobrecarga e impulsionar a inovação, ao mesmo passo que operacionaliza um futuro do “não trabalho” ou a substituição da força criativa pela capacidade gerativa

A dívida digital tem impactado negativamente a produtividade e a criatividade no ambiente de trabalho. As pessoas estão sobrecarregadas, tentando separar o sinal do ruído em meio à enxurrada de informações, e isso está afetando as suas capacidades de agir e inovar. A pressão sobre os líderes empresariais para aumentar a produtividade em um cenário de incerteza econômica torna-se cada vez mais desafiadora. Muitos dados e insights não conseguem se traduzir em valor enquanto houver essa dívida. Contudo, a IA se promove (ou “é promovida” para ser mais assertivo) como uma aliada capaz de desempenhar um papel crucial na solução desse problema.

No passado, a IA operava principalmente no piloto automático, mas agora a próxima geração de copilotos prevê trabalhar lado a lado com os seres humanos enquanto uma ferramenta de expansão analítica. 

A pesquisa “Will AI FIx Work” apresenta um cenário otimista em maio de 2023 onde ao pesquisar 31.000 pessoas em 31 países e analisar trilhões de sinais de produtividade do Microsoft 365, juntamente com tendências trabalhistas provenientes do LinkedIn Economic Graph chegou a três insights sobre a relação IA e trabalho: O impacto da dívida digital, já apontada, a tendência dos próprios colaboradores buscarem a IA como alternativa para sua produtividade e a busca pela “expertise” de pessoas na instrumentalização da IA nas rotinas de trabalho.

O primeiro ponto constata a urgência em resolver a dívida digital. As horas de trabalho, a duração do dia de trabalho e o tempo gasto em reuniões aumentaram consideravelmente, sem um impacto significativo no valor entregue (como abordamos aqui), o que demanda novas atitudes para lidar com essa sobrecarga. Resta saber se a IA será solução ou apenas mais uma vilã nessa saga do débito digital.

O segundo ponto cabe reflexão, pois apresenta a disposição dos funcionários em utilizar a IA para aliviar suas cargas de trabalho. A pesquisa mostra que 70% dos trabalhadores estariam dispostos a delegar o máximo de tarefas possível à IA para reduzir o volume de trabalho. Surpreendentemente, os funcionários estão mais animados com a perspectiva de a IA ajudá-los a combater o esgotamento do que preocupados com a perda de seus empregos para a tecnologia. Considerando que essa substituição não passa pela decisão própria deles, o futuro é nebuloso quanto a decisões práticas quando há pressão pela ampliação de lucros e uma descentralização de mercados a nível global. Basicamente, o extintor de incêndio pode estar abastecido com gasolina.

Por último, a diversidade de áreas em que a IA pode contribuir aponta para uma demanda desestruturada por novos “modelos de trabalho” baseados no uso dessas tecnologias. Desde tarefas administrativas até trabalho analítico e até mesmo atividades criativas, os trabalhadores demonstram na pesquisa conforto em utilizar a IA para aprimorar seu desempenho enquanto líderes se apresentam como comprometidos com a ideia de capacitar seus funcionários com a IA, em vez de substituí-los. O que talvez seja preocupante nesse aspecto é que não há um modelo central e essa busca exigiria uma capacidade grande de experimentação e resiliência às intempéries financeiras. Será que há disposição para um investimento e estratégia em larga escala ou, como é usual, cada estrutura irá “puxar para seu lado” tornando essa transição claudicante, ao mesmo tempo que arroxa as bases da pirâmide pressionando por “qualificação”? Por aqui, apostamos na segunda.

Portanto, a IA se apresenta, a partir desses dados, como uma aliada poderosa para resgatar a criatividade no ambiente de trabalho, impulsionando a inovação e transformando a forma como trabalhamos. No entanto, cabe um olhar crítico, pois o avanço da capacidade gerativa é tão acelerado ao ponto de gerar e eliminar a dívida digital na mesma velocidade, quase como um paradoxo sistêmico. Desde a eliminação da dívida digital até o aprimoramento da produtividade e criatividade, a relação entre a IA e o trabalho dependerá de como os agentes e líderes vão abordar a construção dos novos modelos de trabalho: se serão para moldar o futuro do mundo laboral e desbloquear o potencial humano, ou para gerar um novo ciclo de automação exponencial.

 

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