Perspectivas e 3 Tendências da Comunicação para 2022

Design de Comunicação

Perspectivas e 3 Tendências da Comunicação para 2022

9 de dezembro de 2021 Artigos 0

Depois de dois anos turbulentos para comunicação, onde marcas e empreendimentos precisaram se revolucionar e fazer de forma prática a tão alardeada Transformação Digital, o próximo ano poderá ser pautado por um conceito que abrange tanto as vivências quanto os fluxos dos canais de comunicação: A Desigualdade.

Para além das questões econômicas que vão pautar bastante as conversas dado os índices e previsões de desemprego, inflação, produção e desenvolvimento humano (que por si já dariam um ambiente de altíssima complexidade), a desigualdade se manifesta também nos processos e planejamentos de comunicação em curso, ainda bastante pautados pela reação a um possível “pós pandemia”. Esse contexto, ainda não garantido pelos cientistas, mas alardeado pela mídia e incorporado pelas massas, tem um reforço nos resultados da vacinação e nas quedas drásticas e maravilhosas dos índices de mortes e infecções devido à grande adesão à vacina. Seria muito ingênuo não conectar essas desigualdades sócio-econômicas às capacidades de absorção e retenção de valor na comunicação.

É fato que espera-se uma explosão de atitudes e comunicações no estilo “voltar ao que era antes”, mas é preciso entender como esse processo se dará de forma desigual e como a comunicação será impactada pelas experiências vividas nos últimos 2 anos onde grupos viveram o isolamento enquanto outros não tiveram essa opção para manter os serviços. Neste ambiente complexo propomos algumas tendências que serão pauta em 2022 e são impactadas pela desigualdade.

Digital First

Esta é uma tendência empoderada pela nova percepção dos usuários que é possível sim aprender, trabalhar, debater, participar, interagir, vender, negociar digitalmente. É claro que muitos desses verbos são conjugados com mais dimensões de experiência em atividades presenciais e ao vivo, mas a “quebra de barreira” forçada pela pandemia abriu um olhar positivo sobre essas interações indiretas. Mesmo os modelos que estão retomando já há alguns meses suas atividades presenciais, carregam diversos aprendizados e integrações com elementos qualitativos advindos das interações digitais. Grandes empresas do segmento de tecnologia e serviços, mais afim a essas práticas, assumiram turnos completos, parciais ou optativos de home office e esta integração completa entre Físico, Digital e Social pode ser a pauta principal de inúmeros segmento, repensando estratégias para retomar valores presenciais partindo dos benefícios que o Digital trouxe para suas interações.

Comunidade

A era do “cliente fã” pode estar chegando ao fim. Não por que as pessoas não querem mais ser fãs das marcas, pois elas continuam a associar diversos aspectos desse processo como representações de suas identidades, porém elas querem fazer isso com cada vez menos influência direta dessas marcas. Eles querem se apropriar da marca e usá-la com linguagem para se comunicar entre aqueles que também compartilham de sua identidade. Uma comunidade é um espaço ou plataforma onde as pessoas utilizam a linguagem de uma marca para obterem mais do que o valor que a marca entrega com seus produtos/serviços. Se uma das tendências principais da tecnologia é a “plataformização” a partir das estruturas de APIs e de arquiteturas mais abertas de informação, está claro que as pessoas a trafegarem nessas plataformas vão se organizar na forma de comunidades de usuários, independente se estamos falando de vestuário, tecnologia, entretenimento ou qualquer outra coisa.

Hiper Automação e Retrotopia

Dois nomes aparentemente difíceis, mas que representam duas tendências clássicas tanto da comunicação quanto das relações sociais em seu eterno conflito: Cultura e “contra” Cultura. Na prática, segundo o relatório Gartner, a disseminação de assistentes virtuais e as múltiplas iniciativas de inteligência baseada em dados em escala global (pense em um ecossistema de informações capaz de tomar decisões em escala) trabalham incessantemente para remover o peso das decisões das mãos do usuário. Para que se preocupar com a quantidade de Sabão em pó ou o que jantaremos hoje a noite se uma “notificação” acaba de lhe informar onde seu prato preferido está barato, ou que está perto de acabar seus produtos de limpeza? Esta hiper automação provoca uma reação daqueles que preferem negar e se apegar a elementos que impedem essa mudança, muito próximo (mas não exatamente igual) do conceito de Retrotopia de Bauman que impulsiona as pessoas a recriar um passado melhor do que ele foi para negar o as mudanças do presente. Independente das questões importantes sobre privacidade, a tendência é que o usuário já escolheu trocar seus dados por serviços. Ou seja, em escala, apesar dos movimentos de resistência, a hiper automação tem tudo que precisa para remover as escolhas dos usuários e entregar facilidades. E sua marca, como vai se comunicar em um universo onde talvez isso sequer importe para o usuário? 

Um bônus: Microinterações

Seja pela profusão da Memética (ciência que estuda os Memes), seja pelo impacto emocional de pequenos cortes de vídeos e interações curtas, a tentativa de passar a mensagem mais impactante no menor espaço de tempo e foco do usuário é uma tendência seminal para o desenvolvimento da comunicação em 2022. Não está claro ainda o caminho prático que os mercados vão investir para se comunicar nessa velocidade e concisão, mas o conceito de “maior entrega em menor tempo e foco” será pauta de qualquer estratégia digital para o próximo ano.

 

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