Quão “Ecológica” é a linguagem que você usa para programar?

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Quão “Ecológica” é a linguagem que você usa para programar?

7 de julho de 2023 Artigos TI 0

Inspirado no post original no Medium (em inglês)

No mundo da programação, há uma infinidade de opções quando se trata de escolher uma linguagem para desenvolver um projeto. Os desenvolvedores geralmente consideram fatores como sintaxe, curva de aprendizado, documentação e popularidade ao tomar essa decisão. No entanto, um fator crucial que raramente é considerado é a eficiência energética da linguagem. Em um mundo cada vez mais consciente sobre a sustentabilidade e a proteção do meio ambiente, a questão de quais linguagens de programação são mais sustentáveis e consomem menos energia se torna cada vez mais relevante.

Há alguns anos, pesquisadores portugueses realizaram um estudo pioneiro para investigar o consumo de energia de 27 das linguagens de programação mais populares. A pesquisa foi apresentada na Conferência Internacional sobre Engenharia de Linguagens de Software, em 2017, e seus resultados foram atualizados em 2021.

O estudo se concentrou em três aspectos-chave: tempo de execução, uso de memória e consumo de energia das linguagens. Para monitorar o desempenho, foram utilizados diferentes problemas de programação e algoritmos compilados pelo projeto “Computer Language Benchmarks Game”, dedicado a implementar algoritmos em diferentes linguagens. Além disso, a equipe de pesquisa utilizou a ferramenta Running Average Power Limit (RAPL) da Intel, que fornece estimativas precisas de consumo de energia.

Os resultados do estudo revelaram que vários fatores influenciam o consumo de energia nas linguagens de programação. Embora a velocidade de execução seja geralmente considerada um fator determinante, não é necessariamente verdade que as linguagens mais rápidas sejam as mais eficientes em termos de consumo de energia. O uso de memória também desempenha um papel significativo na equação de consumo de energia. Além disso, algumas descobertas surpreendentes foram feitas, como a relação entre linguagens interpretadas, como o Python, que exigem mais tempo para executar e, portanto, consomem mais energia.

A classificação resultante do estudo revelou as linguagens de programação mais “verdes” e eficientes em termos de consumo de energia. Entre elas, destacam-se o C, C++, Rust e Java. No entanto, é importante observar que o Java, embora seja eficiente em termos de energia, apresenta um consumo de memória mais elevado em comparação com outras linguagens. Por outro lado, linguagens como JavaScript e Python foram identificadas como aquelas que consomem mais energia.

Embora alguns possam considerar esse estudo curioso e sem aplicação prática direta, ele tem implicações significativas. A pesquisa oferece insights valiosos para o projeto de linguagens de programação mais eficientes e sustentáveis. Os desenvolvedores agora têm um novo parâmetro para levar em consideração ao escolher uma linguagem para seus projetos. A eficiência energética não pode mais ser ignorada, especialmente em um contexto onde a consciência ambiental é fundamental.

Graças aos pesquisadores portugueses que realizaram esse estudo pioneiro, agora temos uma compreensão mais clara do consumo de energia das linguagens de programação. A eficiência energética deve se tornar um fator essencial na seleção de linguagens, à medida que buscamos desenvolver soluções de software mais sustentáveis. Em um mundo cada vez mais dependente de máquinas que executam código constantemente, essa consideração se torna ainda mais crucial. À medida que avançamos no desenvolvimento de tecnologias, é importante equilibrar a eficiência e o desempenho com a responsabilidade ambiental.

 

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