Tempo e Economia de Atenção nas Redes Sociais

Design de Comunicação

Tempo e Economia de Atenção nas Redes Sociais

19 de abril de 2021 Artigos Design de Comunicação 0

Você já prestou atenção no tempo que você dedica assistindo às suas redes sociais? Sim, não importa se você é profissional, ou uma empresa, ou mesmo uma pessoa que não gosta tanto assim de redes sociais, pelo menos algum tempo você dedica a conferir relatos da vida de seus amigos e pessoas famosas, fotos de viagem ou mensagens motivacionais profissionais que pipocam na tela do celular.

Mas do ponto de vista de produtor de conteúdo, a pergunta que queremos desenvolver nesse texto não é sobre o excesso de redes sociais. É algo bem mais simples. Quanto tempo você dedica a “um post” em uma rede social? Quanto tempo conseguimos reter uma pessoa absorvendo a mensagem que você está transmitindo?

Resposta curta: bem pouco (algumas pesquisas apontam 0.05 segundos de atenção). Esse seria o tempo em que a pessoa faz um “Scan” na sua imagem e, dependendo da rede, em palavras reconhecíveis, para definir cognitivamente se aquilo é ou não de seu interesse (se é algo sobre alguém com quem ela se importa, ou sobre um assunto relevante, ou mesmo se é algo curioso).

Existem inúmeras explicações para esse comportamento, mas a principal delas é que as redes são formatadas para que essa seja a exata experiência. Elas querem que você consuma apenas aquilo que lhe agrada pelo maior tempo possível e que as pessoas abandonem aquilo que não tem interesse muito rápido, a ponto do seu padrão ser identificável. Tudo para que a razão final de sua experiência na rede seja o mais positiva e prazerosa possível. Um festival de “entrega dopamínica” , o prazer por estímulos sinápticos.

Ou seja, produzir conteúdo em redes sociais é muito importante, porque significa participar mais e mais de conversas e gerar relevância para as comunidades que você busca influenciar, porém a frequência é muito mais importante do que a profundidade com que você participa dessa conversa. 

O alvo sendo “programado”

Quem já assistiu o primeiro filme da franquia “Truque de Mestre” (Now You See Me), onde mágicos aplicam uma série de golpes para serem aceitos em uma sociedade e usam uma série de repetições ao longo do dia de um alvo para que ele responda aquilo que eles querem. (se quiser ler sobre esse “truques” essa matéria é bem legal). Na prática, as redes sociais funcionam muito parecido com esse tipo de estímulo.

Cada vez mais as redes reduzem a sua capacidade de “follow up” (direcionar a audiência para uma segunda etapa), restringindo links, ou tornando a interação tão efêmera que não vale a pena ir atrás daquilo que você viu quando “a próxima coisa” a distância de um “rolar a tela” pode ser muito interessante. É um processo diário de direcionamento de atenção.

Nesse contexto, para quem lida com comunicação orgânica em redes, a melhor tática é desenvolver um reforço permanente de muitos impactos significativos, que vão levar o seu cliente a reforçar o conceito em seu subconsciente. Nós chamamos isso de “Abraço”, pois é como se todos os lados que você comunica mandassem sempre a mesma mensagem, muitas vezes, reforçando o seu posicionamento e qualificação, para no momento que o público estiver interagindo em qualquer plataforma que permita follow up (no seu e-commerce ou na landing page do seu evento), ele tenha confiança suficiente para prosseguir a agir da forma que você espera.

Com base nessa ideia, pense nos curtos momentos de engajamento conforme os canais que você usa baseado no reforço de seu princípio de comunicação: 

Em redes onde só é possível usar imagem, ou onde a imagem é muito mais destacada que o texto invista em mensagens curtas, figuras humanas e muito contraste como variação para gerar uma percepção de novidade mesmo quando você está falando essencialmente a mesma coisa.

Em redes de áudio, onde não há como definir rapidamente seu posicionamento, invista em “assinaturas” sonoras (um som ou música recorrente) e tenha uma frase de destaque para o tema, algo muito parecido com um bordão, mas que não precisa ser engraçado ou rimar, mas que caracterize sua proposta de valor.

Em redes de comunicação direta, grupos e afins, onde você pode estender sua mensagem, pense nas “pequenas histórias”, algo que rapidamente apresente um problema, conte o desenrolar e termine com uma solução definitiva (que eventualmente é parte de sua entrega). 

Estas são apenas algumas possibilidades de uso da efemeridade das mensagens e baixa atenção em uma estratégia de repetição e “Abraço”. O mais importante é você definir o quanto de investimento e esforço é necessário na ação individual do post e quanto é relevante na frequência e repetição dos temas. Nós apostamos na frequência sempre!

 

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